14 de fevereiro de 2024 Quarta-Feira de Cinzas

por gil da radio
em NOTICIA
Começamos hoje, Quarta-feira de Cinzas, um pouco de história. Nos séculos VIII e IX a imposição da cinza se uma, no contexto litúrgico, à penitência pública. Naquele dia mandavam os “penitentes” saírem da igreja. E este gesto repetia, de alguma forma, aquele outro de Deus expulsando Adão e Eva, pecadores, do paraíso… Nesta perspectiva se colocam as palavras do Gênese que se referem precisamente à este episódio: “Com o suor da tua frente comerás o pão até voltares à terra, porque dela te tiraram; pois és pó e ao pó voltarás… E o Senhor Deus o expulsou do jardim do Éden, para lavrar o chão de onde o tinha tirado” (Gn 2,19s).
Só mais tarde a imposição da cinza tomou um simbolismo distinto: o da fragilidade e brevidade da vida. A lembrança da morte. A referência à tumba. Parece-me, porém, que é válido, sobretudo, o significado primitivo, que expressa penitencia, expiação pelo pecado. “O homem-pó” quer dizer o homem que se afastou de Deus, que recusou o diálogo, que foi expulso da sua casa, que rejeitou o dinamismo do amor para caminhar seguindo uma trajetória de desilusão e de morte. “O homem-pó” é o homem que se opõe a Deus, que dá as costas ao seu próprio ser e se condena à nada. Mas neste dramático itinerário de afastamento e visitação, existe a possibilidade do retorno. Retorno à origem. Em vez de se precipitar à tumba, é possível mudar de direção- eis aqui a conversão! – e voltar à fonte. “Lembra que és pó e como pó voltarás… a Deus”. Se quiseres. Agora mesmo, neste exato momento.